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Os Timbres da Orquestra


Os Timbres da Orquestra

Timbre é um termo que busca descrever a qualidade ou "colorido" de um som. Um clarinete, violino ou voz humana que emitissem um determinado som de mesma freqüência, seriam facilmente reconhecíveis por um ouvinte pelos seus diferentes "timbres". Podemos afirmar, então, que o timbre é a característica do som distinta de sua altura, sendo o resultado das relativas intensidades dos harmônicos resultantes de uma determinada emissão sonora.

O som é uma onda mecânica. Para melhor visualizarmos esse conceito, imaginemos uma piscina ou poça d'água. Se nela jogarmos uma pedrinha, imediatamente criaremos ondas em círculos concêntricos que se propagarão até desaparecerem. Dessa forma opera o som. Um corpo é posto em vibração o que provocará oscilações de pressão em seu meio imediato, usualmente a atmosfera, que o conduzirá até nossos ouvidos que, através de uma série de processos, transformará na informação decodificada por nosso cérebro. Quanto mais rápida for essa vibração, ou seja, maior sua freqüência, diremos que mais agudo será o som.

No entanto, a maioria dos sons musicais consiste não apenas de uma determinada freqüência, mas também de vários sons harmônicos resultantes. Esses harmônicos se fazem presentes devido às leis acústicas dos corpos sonoros. Tanto uma corda como uma coluna de ar possuem a característica de não apenas vibrar não apenas como um todo, mas simultaneamente nas metades, terços etc. gerando novas freqüências. A força relativa de cada uma dessas freqüências simultâneas, que no todo chamamos de série harmônica, proporciona a qualidade sonora da nota, sua "cor", seu timbre.

Os diversos timbres da orquestra são o resultado direto dos materiais empregados e modos de execução dos instrumentos. Quanto mais rica proporcionar em harmônicos superiores, mais brilhante será a sonoridade do instrumento. Como exemplo, tomemos três membros da família das madeiras: a flauta, o oboé e o clarinete tocando uma mesma nota. O timbre da flauta soará relativamente "puro" pois tem poucos e fracos harmônicos, o do oboé, brilhante, rico em harmônico mais agudos, e o clarinete, "oco" devido à preponderância dos harmônicos ímpares. O espectro harmônico deve-se basicamente ao modo pelo qual a vibração do som é ativada. Na flauta, será pela passagem do ar através de uma fenda, no oboé, duas palhetas vibrantes e, no clarinete, apenas uma. Também o material e formato do tubo acústico influirão no resultado.

Os instrumentos da orquestra estão tradicionalmente divididos em famílias, de acordo com seus mecanismos de emissão sonora e materiais. Os instrumentos de sopro são agrupados em madeiras e metais segundo sua matéria prima. A flauta, hoje em dia construída em liga metálica, foi originalmente feita em madeira, seno então considerada membro dessa família.

Nas madeiras o som pode ser obtido através do sopro em uma fenda, como as diversas flautas, de embocadura livre; com a vibração de um par de palhetas, como o oboé, corne inglês e fagote; ou por uma palheta simples, o clarinete e clarone. Os metais possuem um bocal, onde os lábios do executante produzirão a vibração original amplificada pelo instrumento.

Os instrumentos de percussão da orquestra incluem toda e qualquer fonte sonora obtida através de um golpe ou pancada, produzindo tanto sons definidos com ruídos. Neste grupo estão incluídos desde as castanholas até o piano, cujo mecanismo consta de pequenos martelos que golpeiam suas cordas.

Por fim, temos os instrumentos de corda, que podem ser friccionados por um arco, tangidos pelos dedos ou golpeados, este último o caso do piano, agrupado na percussão. Os instrumentos onde o atrito do arco nas cordas produz o som, a família dos violinos, possuem uma gama sonora bastante ampla e homogênea, comportando as notas mais graves dos contrabaixos até os mais agudos sons dos violinos. A família dos arcos, violinos, violas, violoncelos e contrabaixo é a origem e a base da orquestra.

Ainda encontramos os instrumentos de cordas pinçadas pelos dedos, a harpa, ou por plectros, o cravo que também freqüêntam a orquestra.

J. A. Branco Bernardes


Bibliografia

• SADIE, S. (editor). Dicionário Grove de música.Rio: Jorge Zahar, 1994. Pp. 6, 408-9 e 947.

• RANDEL, D. M. (editor). The new harvard dictionary of music. Cambridge (Mass.): Belknap, © 1986. P.863.
 
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